segunda-feira, 29 de agosto de 2016


PAU-PEREIRA
Robson Pinheiro
(Sabedoria de Preto Velho)
Segundo o espírito Pai João, há uma espécie de árvore, que nascia nas matas da Bahia em sua época de escravo, denominada pau-pereira. Todas as árvores da mata costumavam dar sementes, muitas delas frutos e flores. O pau-pereira, todavia, não florescia, nem dava frutos com regularidade. Pai João usualmente compara esse tipo de planta a pessoas que não produzem, não florescem nem se permitem ser felizes. Não adianta somente ser árvore, de acordo com o que afirma Pai João. É preciso florescer, enfim, dar frutos do investimento recebido.
O ensino do pai-velho nos lembra a parábola da figueira seca, registrada no Evangelho. Jesus, naquela ocasião, repreendia a figueira por não haver frutos em seus galhos e o evangelista faz questão de assinalar que não era época de figos. Entre as diversas interpretações possíveis, talvez o Mestre quisesse mostrar, de modo alegórico, a necessidade constante de produzirmos frutos sempre que a vida nos exige ou nos oferece possibilidade, e não só sob condições favoráveis.
Também é possível relacionar a figura do pau pereira com outra parábola bíblica, a dos talentos. Na história contada por Jesus, é interessante notar que o senhor dissera apenas para que seus servos cuidassem dos bens distribuídos a eles durante sua ausência. Ao deparar, entretanto, com a falta de iniciativa apresentada por um dos servos, que tão somente conservou ou guardou o talento, o senhor retira o investimento das mãos desse homem, que não aplicou os poucos recursos a ele confiados. Promete, ainda, conceder mais para ser administrado por aqueles que souberam fazer render os talentos, multiplicá-los –fazê-los dar frutos. E preciso florescer. É imperativo que o ser se permita florescer para, então, frutificar. Há muita gente boa que carrega o fardo pesado da culpa e a si mesma pune, sem permitir que a vida promova a inseminação de vitalidade que lhe cabe. São indivíduos murchos, improdutivos, do ponto de vista espiritual e das aquisições eternas, da alma.

Pai João aconselha tais pessoas, que se acham feito paus-pereiras, a se dedicarem ao exercício do auto-perdão e do auto-amor. para que possam sintonizar-se com as leis soberanas da vida e viver em plenitude, a produzir frutos.

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