PAU-PEREIRA
Robson
Pinheiro
(Sabedoria
de Preto Velho)
Segundo
o espírito Pai João, há uma espécie de árvore, que nascia nas matas da Bahia em
sua época de escravo, denominada pau-pereira. Todas as árvores da mata
costumavam dar sementes, muitas delas frutos e flores. O pau-pereira, todavia,
não florescia, nem dava frutos com regularidade. Pai João usualmente compara
esse tipo de planta a pessoas que não produzem, não florescem nem se permitem
ser felizes. Não adianta somente ser árvore, de acordo com o que afirma Pai
João. É preciso florescer, enfim, dar frutos do investimento recebido.
O
ensino do pai-velho nos lembra a parábola da figueira seca, registrada no Evangelho. Jesus, naquela
ocasião, repreendia a figueira por não haver frutos em seus galhos e o
evangelista faz questão de assinalar que não era época de figos. Entre as
diversas interpretações possíveis, talvez o Mestre quisesse mostrar, de modo
alegórico, a necessidade constante de produzirmos frutos sempre que a vida nos
exige ou nos oferece possibilidade, e não só sob condições favoráveis.
Também
é possível relacionar a figura do pau pereira com outra parábola bíblica, a dos
talentos. Na história contada por Jesus, é interessante notar que o senhor
dissera apenas para que seus servos cuidassem dos bens distribuídos a
eles durante sua ausência. Ao deparar, entretanto, com a falta de iniciativa
apresentada por um dos servos, que tão somente conservou ou guardou o
talento, o senhor retira o investimento das mãos desse homem, que não aplicou
os poucos recursos a ele confiados. Promete, ainda, conceder mais para ser
administrado por aqueles que souberam fazer render os talentos, multiplicá-los
–fazê-los dar frutos. E preciso florescer. É imperativo que o ser se
permita florescer para, então, frutificar. Há muita gente boa que carrega o
fardo pesado da culpa e a si mesma pune, sem permitir que a vida promova a
inseminação de vitalidade que lhe cabe. São indivíduos murchos, improdutivos,
do ponto de vista espiritual e das aquisições eternas, da alma.
Pai
João aconselha tais pessoas, que se acham feito paus-pereiras, a se dedicarem
ao exercício do auto-perdão e do auto-amor. para que possam sintonizar-se com
as leis soberanas da vida e viver em plenitude, a produzir frutos.

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