domingo, 18 de setembro de 2016


CATIVEIRO DA ALMA
Pai João de Aruanda / Robson Pinheiro
(Sabedoria de Preto Velho)
Cativeiro. Palavra difícil, essa.
Muitas vezes meus filhos julgam que o cativeiro é somente aquele em que os homens, geralmente os brancos, subjugavam negros e a eles impingiam toda sorte de sofrimento, de acordo com o mando do senhor dos escravos.
Quanto engano.
Há tantas formas de cativeiro...
O jugo que o homem impõe  sobre o outro, tentando oprimir as consciências, espalhando a infelicidade dentro dos corações. O cativeiro das idéias, quando o ser se faz escravo de certos pensamentos, já ultrapassados, ou mesmo das próprias idéias, que nem sempre dignificam quem está com a razão.
Existe a escravidão de um povo, de uma raça, de uma comunidade, de uma família ou de um indivíduo, quando se recusa a seguir o progresso da vida e estaciona no tempo. Mas há também a escravidão daqueles que se julgam sábios, que repetem coisas belas filosofias copiadas de outros e que são incapazes de realizar algo em benefício próprio, como a transformação íntima de suas tendências, seus costumes e idéias, pois se acham escravos de si mesmos.
Na verdade, o cativeiro da escravidão pode ter passado. No entanto, quem sabe Isabel, a princesa, tenha apenas aberto um caminho para que os homens não mais continuassem cativos de seus modismos, medos, ânsias e angústias; de sua pequenez sem sentido?
É preciso que os meus filhos se encarem no espelho. Não naquele espelho no qual costumam olhar-se pela manhã, mas no espelho do eu, na própria alma. Observar se não estão com grilhões atados na mente, na alma ou no coração.

E preciso liberdade. Mas liberdade não é o resultado de um decreto ou de uma assinatura em uma folha de papel. A verdadeira libertação é a da alma, que poderá um dia voar livre como as andorinhas no céu de sua própria vida. Sem grilhões, sem cordas, sem muletas.
É preciso voar e voar alto, dentro de si mesmo.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

AGITAÇÃO E ANSIEDADE
Pai João de Aruanda / Robson Pinheiro
(Sabedoria de Preto Velho)
Você está agitado, meu filho? Parece ansioso.
Tranqüilize sua alma. Assim você não resolve problema algum e ainda causa outros piores para você e para quem está perto. Que tal você se conhecer um pouco melhor?
Você não consegue agradar a todos. Nem você se sente satisfeito consigo mesmo. Por que se debater assim?
Você não é perfeito. Portanto, não adianta exigir perfeição dos outros ou daquilo que fazem. Nem você conseguiu organizar ia vida direito!
Você não tem que saber tudo, fazer tudo ou dizer as coisas certas. Ninguém é certinho o tempo todo.
Pare com a agitação um pouco. Tente caminhar em vez de correr. Tente dialogar em vez de gritar. Tente ver em lugar de somente enxergar. Procure ouvir em vez de apenas escutar.
Bom, de vez em quando, parar, sentir e aprender a ouvir o canto dos pássaros, em vez do barulho dos carros ou dos canhões.
Bom para a alma olhar o céu, às vezes, e ver o brilho das estrelas ou quem sabe? sentir o perfume de uma flor.
E bom deslizar pelas ruas em vez de se atropelar nas calçadas. Ansiedade, agitação interior, pressa são três gigantes da nossa alma que precisamos combater urgentemente. Assim, meus filhos a gente vai andando devagarzinho, fazendo aos poucos, reazando com carinho, mas seguindo sempre.
Lembre-se: sua ansiedade não soluciona problema algum.conheça um pouco mais de você mesmo e aprenda a não exigir de si ou dos outros aquilo que nem Deus espera ainda de você.

Agitação, ansiedade e nervosismo são os três sinais dc que você não se conhece bem.
 


PERDAS
Pai João de Aruanda / Robson Pinheiro
(Sabedoria de Preto Velho)

Grandes perdas às vezes significam grandes decepções. 
Mas como perdemos aquilo que não é nosso? Meus filhos julgam, às vezes, que perderam um ente querido pela morte. Mas essa visão é errada. Solte o seu parente que você julga morto. Aprenda a libertar a sua alma e deixar que ele voe nas alturas de sua própria vida.
Muitos dos filhos acham que reter significa possuir. Engano.
Na vida, o que possuímos de verdade é aquilo que doamos.
Se você desejar reter as almas queridas, através de suas emoções e sentimentos desequilibrados, você se transforma aos poucos em pedra de tropeço para aqueles que você diz amar.
Amor não é posse. Amar é doar, é libertar, é permitir que o outro tenha a oportunidade de escolher e trilhar o caminho que lhe é próprio. Amar é permanecer amando, mesmo sabendo que os caminhos escolhidos são diferentes do nosso.