CATIVEIRO DA ALMA
Pai João de Aruanda / Robson Pinheiro
(Sabedoria de Preto Velho)
Cativeiro. Palavra difícil, essa.
Muitas vezes meus filhos julgam que o cativeiro é somente aquele em que os
homens, geralmente os brancos, subjugavam negros e a eles impingiam toda sorte
de sofrimento, de acordo com o mando do senhor dos escravos.
Quanto engano.
Há tantas formas de cativeiro...
O jugo que o homem impõe sobre o
outro, tentando oprimir as consciências, espalhando a infelicidade dentro dos
corações. O cativeiro das idéias, quando o ser se faz escravo de certos
pensamentos, já ultrapassados, ou mesmo das próprias idéias, que nem sempre
dignificam quem está com a razão.
Existe a escravidão de um povo, de uma raça, de uma comunidade, de uma
família ou de um indivíduo, quando se recusa a seguir o progresso da vida e
estaciona no tempo. Mas há também a escravidão daqueles que se julgam sábios,
que repetem coisas belas filosofias copiadas de outros e que são incapazes de
realizar algo em benefício próprio, como a transformação íntima de suas
tendências, seus costumes e idéias, pois se acham escravos de si mesmos.
Na verdade, o cativeiro da escravidão pode ter passado. No entanto, quem
sabe Isabel, a princesa, tenha apenas aberto um caminho para que os homens não
mais continuassem cativos de seus modismos, medos, ânsias e angústias; de sua
pequenez sem sentido?
É preciso que os meus filhos se encarem no espelho. Não naquele espelho no
qual costumam olhar-se pela manhã, mas no espelho do eu, na própria alma.
Observar se não estão com grilhões atados na mente, na alma ou no coração.
E preciso liberdade. Mas liberdade não é o resultado de um decreto ou de
uma assinatura em uma folha de papel. A verdadeira libertação é a da alma, que
poderá um dia voar livre como as andorinhas no céu de sua própria vida. Sem
grilhões, sem cordas, sem muletas.
É preciso voar e voar alto, dentro de si mesmo.
É preciso voar e voar alto, dentro de si mesmo.


